Havia visto a programação do Circuito Expo Money Recife 2012/13, me programei para assistir uma palestra sobre Direitos dos Acionistas Minoritários, da CVM. Abdiquei do meu horário de almoço e segui para o hotel do evento. Lá, descobri que vi a programação errada, a palestra da CVM seria no dia seguinte.
Naquele horário, a única palestra disponível seria sobre um novo negócio, chamado “D.S.O.P.”.

Sem alternativas, a contragosto, entrei na sala onde descobri o modelo de expansão de uma empresa que levava Educação Financeira para Crianças, nas Escolas. Achei Fantástico.

Foi assim que minha vocação começou a se tornar profissão. Serendipity é uma palavra em inglês que significa uma feliz descoberta ao acaso, ou a sorte de encontrar algo precioso onde não estávamos procurando. Foi o que aconteceu ali.

Meses depois eu estava usando minhas sagradas férias para ir a SP fazer negociações, além de passar uma semana imerso no EMPRETEC - Programa de Empreendedorismo desenhado pelas Nações Unidas, distribuído e subsidiadopelo SEBRAE no Brasil.

Neste programa conheci minha primeira sócia, “por acaso” (serendipity mais uma vez).

Luciana Menezes foi uma especie de amiga/irmã mais velha/mentora. Aos 44 anos, me transferiu maturidade, inteligência emocional e leveza. Devo vários legados positivos à companhia dela, que comigo, liderou a Educação Financeira para crianças em Escolas Públicas e Privadas no Estado de Pernambuco. Foram mais de cinquenta mil alunos.

Dentre os vários aprendizados, dois merecem destaque.

Sem a Luciana, a Unidade Pernambuco jamais teria prosperado. Ela entendia tudo do pedagógico – elemento fundamental para que conseguíssemos vender para as Escolas.

Primeira lição para quem pretende “montar” um negócio: Quem vende? Quem é responsável por vender? Isto precisa estar muito claro.

90% das pessoas que vendem, fazem isso intuitivamente. Quando se vende itens essenciais (comida, dinheiro, etc), tudo bem - o desafio é menor. Quando não, cuidado.

Educação financeira é necessário, mas não era ‘mais necessário’ que Português, Biologia, Matemática e Física. Se não fosse a habilidade vendedora da Luciana somada ao entendimento do universo pedagógico, eu teria quebrado. Tenho convicção.

Não foi isso que aconteceu. Fomos premiados duas vezes como melhor e maior unidade do País. Hoje, não temos mais o negócio – vendemos por motivos pessoais (quem sabe, papo para uma outra Carta). O fato é que vários aprendizados ficaram daquela época que convivi com a Luciana (hoje, ela reside no Canadá com a família).

Mais uma vez – quem vende? Sem vendas, não existe negócio.

Robert Kiyosaki (autor do best-seller Pai Rico Pai Pobre) e Harv Eker (autor do best-seller Segredos de uma Mente Milionária) têm estilos muito diferentes. Uma das pouquíssimas coisas que eles concordam é esta: a única habilidade que pode te deixar rico de verdade, é saber vender.

“Vendas é igual a renda”, dizem os dois. 
Não consigo concordar mais.

O segundo aprendizado: ficou muito claro o poder de um bom sócio na história de um negócio.

Engraçado que na mesma época acompanhei de perto um amigo que quebrou por uma discussão societária! Ou seja, o mau sócio também tem grandes poderes.

Certa vez estava entusiasmado conversando sobre uma nova sociedade com o diretor do Banco do Nordeste, Sergio Maia. Recebi um direto bem no queixo “Arthur, aprenda – quem tem sócio, tem patrão”. Claro, se referiu ao lado negativo da palavra ‘patrão’.

Por mais que minha primeira experiência tivesse sido positiva, somei a reflexão do Sergio com algumas experiências não tao boas e cheguei a uma conclusão: não terei mais sócios.

Assim, fui conduzindo as atividades da ED nos últimos anos. 
Como aprendi. Impressionante.

Hoje, me vejo preparado para assinar novos termos societários. Está sendo um período de grandes reflexões.

Uma das curiosidades que notei – ninguém entra em uma sociedade (nem mesmo uma sociedade matrimonial), para ‘dar errado’. Por isso, imagino que tão pouco se discute as regras do jogo em caso de término, traição ou desinteresse. Um erro: este é justamente o principal ponto a ser discutido, do meu ponto de vista.

Sociedade é algo muito sério.

Um bom sócio muda sua vida. Um mau, também. Trata-se de uma decisão muito delicada.

Pense até o último segundo.

Depois da decisão tomada, vá com tudo.
Boa sorte,

Arthur Lemos

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