A Carta de hoje traz uma reflexão importante sobre vida e equilíbrio, em homenagem ao Gabriel Diniz. 

Sempre lamentamos profundamente quando alguém do bem e jovem se despede deste plano. Fica um incômodo pairando nossa consciência, nos fazendo questionar "por que tão cedo". 

Esta segunda-feira fiquei com este incômodo. Quero compartilhar com você uma reflexão que sempre me alcança quando fatalidades como esta acontecem.

Recife, Ano de 2016
Reunião de Gestão SmartFit

Estávamos o Eduardo, o Hugo e eu conversando sobre amenidades ainda naqueles cinco minutos iniciais antes de iniciar uma reunião de trabalho. 

O papo era justamente o trabalho e a sua intensidade no momento de vida de cada um de nós. 

Eis que o Eduardo comenta:

"É isso! Estou trabalhando muito, perdi saúde, emagreci, estou vendo pouco a minha filha, mas estou em linha com uma estratégia. 

O negócio é 'dar carga agora', até uns 50 anos... 

Dos 50 aos 60 'o cara administra', reduz o ritmo, e aos 60 desfruta com maior dedicação o patrimônio acumulado."

Se você analisar cuidadosamente, esta é uma espécie de estratégia padrão para muitos de nós. No entanto, considere a resposta do Hugo ao comentário do Eduardo:

"No papel é lindo, Duda.

Porém, quem disse que você vai chegar aos 60?"

Duro e certeiro. Vida real. 
Golaço. 

Dan Ariely prova isso cientificamente. Chama-se viés de confiança, ou seja, nós temos a tendência de nos acharmos mais inteligentes e melhores do que realmente somos. Temos a tendência de achar que as chances de algum acidente acontecer conosco, é sempre menor do que as estatísticas. 

No entanto, na vida real, "ninguém garante que você vai chegar lá". Não há garantias que você chegará aos 60 para comemorar o plano.

Por isso, a necessidade do equilíbrio. 
Em uma edição anterior da Carta, comentei que o equilíbrio era desequilibrado (se você não leu esta Carta, recomendo fortemente que leia acessando este link).

Continuo com a mesma opinião. 

Quero aqui reforçar a importância de redistribuir os pesos daqueles vários papéis que exercemos, para não incorrer no risco da frustração quando o tempo passar. 

Continuo não achando que devemos encarar a fatalidade como um lembrete de que "só se vive uma vez" ou de que "a vida é um sopro". Vi que muitas pessoas reagiram assim. 

Coincidentemente, me deparei com uma tirinha do Snoopy semanas atrás. 
Ela trazia uma sábia análise:

- Snoopy, só se vive uma vez!

- Negativo, disse Snoopy. Só se morre uma vez. Viver, vivemos todos os dias.

Estamos todos propensos a acertos fatais. 
O tipo de coisa que não se consegue evitar. 

A lição que fica é a importância da ponderação entre sacrifício, propósito e equilíbrio. 

Conheci o Gabriel e pelo pouco que acompanhei, mesmo tão jovem, espero que eu esteja certo – ele aproveitou intensamente seus bons momentos. 

Façamos o mesmo.

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Como escritor que aqui sou, usei da minha licença poética para abordar esta fatalidade. Claro que há uma justificativa – por mais que não gostemos ou aceitemos, todo planejamento financeiro tem um fim. 

Isto também faz parte da vida real. 

Hoje estou na torcida pelo descanso em paz do Gabriel.

Em luto, 

Arthur Lemos.

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