Conheci um pouco da história por trás do sucesso estrondoso do UFC.
Como qualquer boa história, há várias lições nas entrelinhas. Uma delas muito marcante – gostaria de compartilhar com você.


Las Vegas, Nevada
Ano de 2001

Dana White sempre foi envolvido com lutas. Nesta época, era o empresário de dois lutadores, Tito Ortiz e Chuck Lindell, ambos no início da carreira. Esses lutadores participavam de eventos em uma categoria não muito popular de Artes Marciais mistas, o Ultimate Fighting Championship, UFC.

Em conferência com o antigo proprietário do UFC, Dana White recebe a notícia que não receberá os honorários que teria direito em função de um contrato com o Ortiz: "White, não há mais dinheiro. Inclusive, talvez eu nem consiga fazer o próximo espetáculo".
Reação padrão: indignação, raiva, confronto.
Reação do Dana: entusiasmo.

Em seguida, Dana White liga para um amigo pessoal (um investidor) e dispara "Lorenzo, o UFC está passando por sérios problemas, eu acho que nós deveríamos tentar comprar essa empresa".

Semanas depois, em uma transação incrivelmente rápida, Lorenzo Fertitta compra o UFC por 2 milhões de dólares.

15 anos depois, venderam o UFC por mais de 4 bilhões de dólares.
Na época, aproximadamente 13 bilhões de reais.

Este é o tipo de manchete que chama a nossa atenção – "Descubra os segredos por trás da estratégia dos empresários que venderam uma empresa por mais de duas mil vezes o valor de aquisição, em apenas 15 anos".

Olhando assim, é realmente uma trajetória fantástica.
Não que não tenha sido, na verdade, isto é indiscutível. Mas, segundo o Dana White, existem partes do percurso que poucos conhecem e que, segundo ele, pouquíssimos aguentariam.

"Quando escutamos ‘compraram por 2MM e venderam por 4Bi, é incrível’. Mas, para posicionar o UFC da forma que nós acreditávamos, nós queimamos quase 40 milhões de dólares em caixa. Isso não foi nem um pouco divertido".

Nos primeiros quase quatro anos de UFC sob a gestão Dana/Lorenzo, o negócio gerava prejuízo recorrentemente. O evento foi crescendo, ganhando popularidade, mas tudo às custas de aportes massivos dos sócios (neste caso, do sócio investidor).

Antes de completar 4 anos a frente do negócio, White recebe uma ligação do Lorenzo que disse que não poderia mais queimar tanto dinheiro, que não poderia continuar daquela forma, e que ele queria que o Dana procurasse alguém para adquirir o UFC. Havia chegado a hora de vender.

Dana White fez algumas ligações durante o dia e a noite teve uma nova reunião via telefone com o Lorenzo. Nesta, o atualizou de todas as ligações: "6 ou 7 milhões de dólares, talvez seja o máxima que a gente consiga".

Este seria um final profundamente trágico.
Comprar algo por 2 milhões, investir 40 milhões ao longo de 4 anos, além de toda a dedicação, e depois vender por 6 ou 7 milhões...

Porém, há momentos que precisamos "saber perder". Mesmo trágico, poderia fazer sentido.
Lorenzo disse que iria pensar e que no dia seguinte retornaria.

No dia seguinte Dana White recebe uma ligação do Lorenzo: "foda-se, vamos continuar".

Mudaram a história do esporte.
Vale ressaltar que é realmente impressionante o poder das escolhas.

Aqui deixo a lição de hoje – existem negócios e estratégias que estão no caminho certo e não estão gerando caixa hoje, assim como existem negócios que estão gerando caixa hoje, mas que tem perspectivas péssimas.

O problema é que quando você acredita que está no caminho certo, mas os resultados ainda não aparecem, dezenas de pessoas apontam o dedo (às vezes, até bem intencionadas), sugerindo que você mude a rota.

Se você está confiante, mesmo que os números não reflitam a sua confiança, siga firme.

Há risco?
Claro que sim.
Inclusive, dentre estes, o risco de dar muito certo.


Eu estou torcendo por isso.
Seguimos juntos.

Forte abraço,
Arthur Lemos;

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