Um dos livros de cabeceira do Marcel é o Double your Profits (dobre seus lucros), do Bob Fifer. Devo ter lido este livro quatro vezes.

Minha nota para o livro é 9,5 não pela densidade do conteúdo. Na verdade, o conteúdo é super simples – e é justamente por isso que recomendo a leitura.
Algumas lições não se aplicam em meu negócio, mas uma delas foi muito marcante pra mim, pois uma das vezes que reli o livro foi imediatamente após pedir demissão da Deloitte, em 2013.

-

Denver, Colorado. Julho de 2012

Havia recebido uma promoção dupla e além disso, estava nos Estados Unidos para trabalhar pela Deloitte Brasil. Fiz parte de um grupo restrito de jovens escolhidos para participar de um Programa de Mobilidade Global da firma.

Na época, lembro que um dos aprendizados teve destaque em minhas anotações: vale a pena entregar além do limite

O esforço que jovens ambiciosos colocam em ambientes que respiram meritocracia é descomunal. O ambiente meritocrático é tão envolvente, que mesmo respirando um ritmo de vida claramente não saudável, eu me sentia motivado e realizado.

Lembro que na época isso me parecia um pouco confuso – ao mesmo tempo que enxergava claros sinais de que havia estímulos e reconhecimento para os melhores profissionais, tinha também uma constante impressão de que aqueles que chegavam aos cargos máximos (tornavam-se sócios ou ocupavam cargos C-Level como CEO e CFO), não eram os melhores tecnicamente. Era clara a necessidade de ter também, uma grande habilidade política e de relacionamento com pessoas.

Um grande erro se você se considera ambicioso(a) é não entender as promoções alheias, por se achar melhor. Nem tudo é entrega quando você começa a escalar níveis hierárquicos.

Contudo, reflexões a parte, ao mesmo tempo que nem tudo é entrega, "entregar" é o que determina a maior parte dos resultados. Por isso, uma das melhores lições que conheço para quem quer crescer em uma empresa é – maximize os resultados dos acionistas.

Sua preocupação diária deveria ser ‘tornar os acionistas do negócio ainda mais prósperos’.

Se você fizer isso, qualquer coisa diferente de seu crescimento profissional é contra-natural. Seja muito bom e gere resultado para os acionistas - sua empresa terá pesadelos em se imaginar sem você. Isto não significa "apenas" apresentar boas idéias. Significa mais lucro.

Em Double Your Profits (livro mencionado acima), uma das principais diretrizes é respeitar a Meritocracia. Segundo o autor, um ambiente que não respeita posturas meritocráticas corre um risco latente de afastar talentos e atrair profissionais acomodados.

Quando não se reconhece aquele que "arrebenta" de forma expressiva, você está reconhecendo aquele que "não arrebenta". Isto ocorre, por exemplo, ao entregar condições globais de remuneração sempre similares. Com o tempo, os destaques desistem de você ou se convencem de que não compensa entregar acima do limite.

Desastre em ambos os casos.

Se você é gestor, seja meritocrático. Gente boa precisa ficar no time. Isto significa não se incomodar em distribuir bonificações significativamente díspares entre membros do time.

Parece óbvio, mas é polêmico. Em um negócio que tive participação no passado, não consegui implantar a cultura de meritocracia pois meu sócio se incomodava em entregar comissões 6x maiores para alguns membros da equipe. Além disso, são raros os casos nos quais as pessoas concordam com os critérios de remuneração variável. Em um ambiente onde todos ganham algo parecido, isto não se torna um problema. No entanto, quando estes critérios representam a diferença entre o céu e o inferno, as pessoas sentem...

É muito difícil, mas vale a pena.

Na ED temos nossos desafios – uma orientação voltada para crescimento exige aportes recorrentes em infra-estrutura, equipamentos, ferramentas e tecnologia. Para uma empresa que nasce sem aporte próprio e segue sem aporte de investidores, há um enorme desafio posto.

Ainda assim, em diferentes oportunidades, fiz questão de reconhecer performances de membros específicos com recados escritos a mão e com uma remuneração adicional não prevista.

Para fazer isso, não tenho critérios públicos. Não é uma política escrita, trata-se de uma forma de reconhecimento baseada na meritocracia – ainda que as métricas para compor as análises meritocráticas não sejam 100% assertivas (aliás, nunca serão).

Na dinâmica das empresas que trabalhei no passado, percebi que as pessoas "relaxavam" meses depois das promoções e se empenhavam mais antes do término do exercício fiscal, onde normalmente se distribuem os bônus.

Sem data certa, sem critério escrito em pedra, sem percentual pré-definido, sempre que vejo que alguém se entregou além do limite e que isso gerou impacto direto no negócio, coloco tudo em um Envelope e convido a pessoa para uma reunião privativa.

Faço a quantidade de vezes que gostaria e/ou que as pessoas merecem? Não. 
Na vida real, precisamos respeitar o fluxo de caixa.

Estou distante do ideal meritocrático que sonho em ter, porém a mensagem de hoje é poderosa, pois até mesmo o pequeno empreendedor consegue implementar uma cultura meritocrática.

Respire meritocracia

Se não tiver um dpto. de RH, comece com um envelope, mas não desperdice a oportunidade de assim fazer.

Seus melhores talentos agradecem.

Forte abraços,
Arthur Lemos

__________

Você quer receber a Carta do Fundador Diretamente em seu e-mail?

Clique AQUI e inscreva-se!