É compreensível, pois envolvia desempenhar uma atividade atípica para ela. Porém, tive a sensação que não se tratava de um problema de  inovação. Se tratava de um problema de autoconfiança.

Pensei rápido e disparei:

Veja, eu não tenho absolutamente nenhuma dúvida que você é foda. Você resolve. Agora, se não acreditar que consegue resolver, tudo bem. 
Apenas quero que saiba que isso é coisa da sua cabeça, porque você é muito foda
”.

Algo entre um sorriso de surpresa e uma expressão de alívio surgiu enquanto ela claramente se questionava sobre a possibilidade de realmente ser muito boa.

Acertei – golaço.


Recife. Domingo, 21h.

Eu estava voltando de uma reunião na qual estive por quatro horas. No caminho para casa refleti sobre o que poderia surgir de novos negócios a partir daquela conversa. Estive com um possível novo parceiro, porém as possibilidades de atuação são tantas que fiquei preocupado...

Digo preocupado pois já vi este filme inúmeras vezes.

Por vezes quis vender para um único departamento e as pessoas se empolgaram tanto que fomos aumentando o tamanho do projeto e em minutos, estávamos traçando planos nacionais (não por mérito meu, mas principalmente pela relevância do tema ‘Educação Financeira’).

Na teoria é ótimo, mas na prática, estes “super-projetos” normalmente permanecem no papel. Hoje, na maioria das vezes, prefiro garantir a venda de dez que sonhar com a venda de mil.

Por isso minha preocupação – comecei a lamentar (precocemente – sou ansioso) sobre a possibilidade de não evoluir em nenhuma frente com este possível parceiro em função da quantidade de possibilidades e sobretudo do tamanho dos possíveis projetos.

Mesmo assim, ainda antes mesmo de chegar em casa, voltei ao meu conforto individual.

Lembrei de algo extremamente importante – “me considero muito bom e mesmo se não der nada certo, vamos continuar crescendo forte. Ponto final”.

Isto nada tem que ver com excesso de confiança. Trata-se de autoconfiança
Há uma enorme diferença.

Excesso de confiança nos deixa menos cautelosos, nos faz ignorar as probabilidades indesejadas. Autoconfiança vem do auto-conhecimento.

Certa vez fui a um psiquiatra. Não fui por recomendação médica - foi uma espécie de “pesquisa profissional”.

Pode parecer estranho pra você, mas estou sempre fazendo coisas assim – tenho uma forte crença de que para se posicionar acima da média, você precisa experimentar o maior número de soluções e abordagens que compõem a média.
Esta crença me levou a visitar cultos de igrejas pentecostais, circos, cirandas na praia, dentre alguns outros rituais. Evidente que há um motivo pra cada uma destas visitas.

Primeira lição – amplie seu repertório
Você provavelmente está usando a mesma caixa de ferramentas há algum tempo.

Voltando ao psiquiatra, fiquei hiper impressionado com o nível de profundidade das discussões acerca de mim mesmo que tive no consultorio com o doutor. Para minha sorte, fui diagnosticado como mentalmente saudável e não houve necessidade de retorno ou de tomar qualquer medicação. Por enquanto, tudo certo por aqui, rsrs. Confesso que se não fosse o custo das consultas, eu agendaria novos encontros.


Em tempo: peço que não me julgue - não se trata de desrespeito profissional, mas sim, de interesse e admiração por profissionais de outras áreas.


Uma coisa ficou marcada depois daquela consulta – a leitura mais consciente das minhas reações frente a problemas que ocorreram dali em diante.


Comecei e me interessar por me conhecer melhor. 
Está sendo transformador.


“Conhece-te a ti mesmo”, dizem os gregos, mentores e empreendedores experientes. Não se sabe quem tem autoria da frase, mas acredito bastante no significado dela.

Sobre a última frase, não tenho pretensão de parecer super auto-confiante, muito menos de soar filosófico. Todos nós (eu incluso, claro) somos presos em armadilhas de auto-sabotagem. Porém, este não é o cerne da discussão de hoje.
Quero que reflita sobre a quantidade de pessoas que poderiam acreditar nelas,desde que alguém desse o primeiro estímulo.

Agora pense quantas pessoas assim estão ao seu redor.

Muitas.

A mulher em meu diálogo estava pronta pra resolver o desafio proposto. Faltava “apenas” uma dose de autoconfiança. 

Precisou um agente externo inserir esta pílula para que ela acreditasse nela mesma. Sem este empurrão, talvez não conseguisse.


Eu acho você foda.

Muitos em sua volta estão desesperados para escutar isso. Pior – eles merecem.
Pense nisso.


Abraços,
Arthur Lemos

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