Este foi meu pensamento em São Paulo, neste último Domingo, às 23h53.

Tenho 30 anos, um filho e algumas histórias pra contar. Hoje, quando me perguntam sobre equilibrar vida profissional e vida pessoal, respiro fundo. Não sei como responder em poucas palavras.

Não me considero um workaholic. O Ricardo Canella certa vez me falou "Aqueles que são viciados em trabalho, se contentam apenas quando o assunto é este. Eu não – gosto demais de fazer várias outras coisas".

Concordo.

No entanto, mesmo assim, reconheço que trabalho muito. As vezes, demais. Não me lembro de uma época que trabalhei pouco. Pra mim, já é algo natural.

O problema? Este excesso de envolvimento traz dificuldades nos relacionamentos com amigos, família, esposa, saúde. Eventualmente falta atenção para outras áreas da vida. 

Já me incomodei mais com o assunto. Hoje chego a conclusão de que não há equilíbrio ideal. Inclusive, nossa própria percepção do que é ideal muda ao longo do tempo. 

"O equilíbrio é desequilibrado", me disse Murilo Gun.

Também concordo.

Tanto concordo, que já usei a frase algumas vezes. É natural dedicar mais atenção a alguma área da sua vida em detrimento de outras, a medida que as prioridades vão mudando. Uma boa fase matrimonial, a chegada de um filho, um momento corporativo importante, enfim. O que não pode, é nunca alternar as prioridades. Aí está o perigo.

perigo normalmente está associado ao trabalho pois esta é uma área fundamental na vida de todos nós. Mas não se engane – não é a única zona de perigo.

Tenho alguns amigos na zona dos trinta, que ainda continuam presos ao "só se vive uma vez". Tudo funciona pra eles, mas as perspectivas profissionais são limitantes. Nenhum dos extremos é desejável do meu ponto de vista.

Pensando nisso e pensando em ser um homem melhor (este foi um dos meus compromissos comigo mesmo na virada do ano), decidi que iria tentar ser minha melhor versão em todas as frentes. Foi uma decisão muita lúcida, ou seja, decidi perseguir isto com desequilíbrio.

Já que estou em um momento profissional decisivo e que ainda tenho inclinação natural a trabalhar demais, estou desenhando minha rotina de maneira a garantir presença com meu filho e minha esposa, e com minha saúde. Na escala de prioridade atual, a saúde fica em último lugar.

É justamente por isso que a escolhi para ser meu termômetro. Ter êxito naquilo que julgo ser menos importante dentre as minhas prioridades atuais, significa que estou "equilibrando" bem a minha rotina. Se eu conseguir retomar atividade física (quase que) diariamente e retomar meu peso corporal, quer dizer que consegui ajustar a minha rotina com sucesso.

É desafiador, mas alcançável (como uma boa meta deve ser).

A expressão que mais tenho utilizado nos últimos tempos é "vida real". Gosto de me referir àquilo que realmente funciona na prática.

Sobre isso, quero ser direto.

Se todos a sua volta entenderem seus esforços, há algo errado. Quem se doa em excesso ao trabalho, eventualmente se encontra em discussões sobre a necessidade de equilibrar melhor vida pessoal e profissional.

Quem se doa em excesso ao trabalho, é também quem normalmente consegue alcançar grandes conquistas. Não é regra absoluta, mas é o que acontece na maioria das ocasiões.

Aos poucos, me convenço que o equilíbrio é uma utopia.

No entanto, distribuir desequilíbrios necessários ao longo do tempo pode ser super saudável.

É com este entendimento que tento alternar entre o Arthur que estava na Bolsa de Valores e o Arthur que estava por aí, nas baladas de SP.

"O equilíbrio é desequilibrado".
Pense nisso.

Abraços,
Arthur Lemos

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