Carta Especial aos Empreendedores

Um amigo me pediu orientações sobre como conduzir as tratativas com seu futuro novo sócio. A situação é delicada e sedutora – ele iniciou uma empresa por vocação, acredita muito no produto, mas precisa de dinheiro para executar seu plano de expansão.

Do outro lado, um investidor. Alguém que tem dinheiro mas não tem tempo e/ou habilidade para conduzir o negócio.

Terra, capital e trabalho são os meios de produção que fomentam o capitalismo. A junção entre capital e trabalho fazem sim sentido, pois para muitos negócios, é inimaginável pensar em crescimento sem estes meios.

A combinação destes dois pode fazer muito sentido, e justamente por isso, é assim que inúmeras parcerias se firmam todos os dias.

No entanto, por experiência, fiz algumas recomendações ao meu amigo, que compartilho aqui com você.

Dois pontos sensíveis que poderão ser úteis em futuras parcerias que você venha a firmar.


Tipos de Investidores

Antes de tudo, é importante entender qual o perfil do seu investidor.

Abaixo uma classificação feita pela própria Endeavor, com os perfis de investidor mais comuns no mercado:

  1. Investidor de Sonho: aquela pessoa que bota dinheiro na viagem à lua, na alimentação saudável para todo mundo;

     
  2. Investidor de Audiência: quem olha para quantas pessoas vem na loja, quantas baixam o app;

     
  3. Investidor de Tração: quem olha para quanto a empresa fatura no mês e o quanto está crescendo;

     
  4. Investidor de Máquina: quem olha para as máquinas de crescimento

 

O ponto em comum, que todos olham, é o potencial de escala do negócio.

O primeiro ponto a ser analisado, é se o que o investidor busca no negócio está compatível com o que você busca. Um sócio investidor interessado na construção de faturamentos crescentes e um empreendedor buscando um sonho, tendem a não dar certo com o tempo.

Primeira lição: procure o investidor que compartilha das suas aspirações acerca do crescimento do negócio.

Além disso, é fundamental lembrar quais são as entregas de cada um para a sociedade.

O conflito mais comum que existe entre empreendedores e investidores ocorre nos extremos do sucesso e do insucesso.

Quando o negócio vai muito bem, após alguns meses, o empreendedor parece esquecer do valor do aporte feito pelo investidor. Os pensamentos começam a surgir "o cara investiu apenas 100 mil lá atrás, e hoje fica com x% do lucro sem fazer nada".

Do outro lado, quando o negócio não vai bem, o investidor parece esquecer que na economia real não há garantias de sucesso. Sem resultado, o investidor imediatamente culpa a competência do empreendedor.

Assim, a segunda lição: para iniciar uma sociedade, escreva todas as regras do jogo. Se não puder fazer um contrato, escreva em e-mail e circule para todos os envolvidos como uma Ata de reunião.

O que acontece se alguém desistir? Em brigas? Falência de um dos dois? Quem decide o que? Quem não decide? O que precisa ser assinado em conjunto?

Quanto mais claro, melhor.


Por fim, para você que está prestes a receber uma proposta de um investidor ou para você que sonha em captar um investidor para o seu negócio (ou sua idéia), reflita profundamente – o que você faria com este dinheiro I) que impactaria os resultados do empreendimento de maneira expressiva e II) que você apenas conseguiria fazer com este aporte financeiro.

Reflita bastante sobre a real necessidade de captar investimento externo.

Recusei mais de uma proposta de investidores anjo para a Empreender Dinheiro.
Estas lições me ajudaram a tomar a decisão.

De todos os meios de produção, aprendi nas aulas de história (ainda na escola) que no sistema capitalista, o capital compra terra e contrata trabalho. Capital é o mais caro meio de produção existente.

Assim, esteja vigilante e apenas "compre capital" quando for realmente necessário.
Pode sair caro.


Sigo torcendo pelo seu sucesso.
Torço também pelo sucesso das suas ideias.

Boa sorte,
Arthur Lemos.

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