Estive no Fórum regional do Mercado Imobiliário que aconteceu ano passado em Recife, palestrando sobre as perspectivas para o setor para 700 profissionais do segmento imobiliário.

No mesmo palco, no Teatro Riomar, a Mirian Leitão havia falado dias antes. Lembro que um dos meus conteúdos conectou com o dela.

Recency bias, diriam os Americanos. Quando vivemos uma experiência intensa no passado recente, temos dificuldade de projetar um futuro próximo muito diferente daquilo. O problema é que nos tornamos muito medrosos ou muito gananciosos por achar que as coisas serão péssimas ou ótimas para sempre.

Não serão. Funcionamos em ciclos.

Na oportunidade, destaquei elementos muito positivos para o setor imobiliário, dentre eles: crédito mais competitivo na ponta, estoques reduzindo, novos lançamentos, ações de empresas do setor com valorizações incríveis na Bolsa (excelente sinal, afinal de contas os investidores em bolsa tendem a antecipar os fatos). Porém, mesmo com muitos motivos para estarem otimistas, a sensação de "algo deve estar errado" perdurava.

Lembro que um evento chamou a atenção dos participantes, já ao final da palestra. Comentei que em 2014 vivíamos um momento de expectativa positiva para a economia no ano seguinte. A projeção do Boletim Focus (relatório do Banco Central do Brasil), em Dezembro daquele ano, era de um PIB positivo em 1% para o ano de 2015.

O PIB não foi de 1%.

Foi de quase 4 pontos percentuais. Negativos.

O futuro é impenetrável. Na ausência de referências, temos uma tendência natural a projetar algo similar ao que aconteceu recentemente. A Bolsa de Valores brasileira está prestes a romper a barreira histórica dos 100 mil pontos. Em teoria, nada deveria mudar substancialmente. Porém, gostamos de números redondos.
Há uma grande chance de alcançarmos os 100 mil pontos, em semanas. Quando isto acontecer, cuidado.

Milhares de gênios da bolsa surgirão e você não vai mais conseguir escutar programas de televisão ou rádio sem comentários sobre o Ibovespa. Estará em todos os lugares. Coisas como "conheça os passos essenciais para fazer fortunas na Bolsa" estarão estampadas em todas as redes sociais.

Tenho dois objetivos com a Carta de hoje, mas nenhum deles é causar uma impressão de que não é hora de investir em Bolsa. Aliás, estou há pelo menos dois anos falando que temos uma fábrica de milionários na Bolsa Brasileira (quem já participou dos nossos treinamentos, sabe disso).

Os motivos para escrever esta Carta, são outros.

O primeiro deles é um ensinamento sobre o viés da recencia. Cuidado com a euforia quando todo mundo estiver falando sobre bolsa.

Inclusive, isso vale pra tudo.

Um personagem de destaque no time da ED hoje, no início, quase foi demitido - hoje não nos imaginamos sem essa pessoa em nosso time. Por aí vai.

Nos investimentos, nem 8, nem 80. Se você perdeu ao investir em ações no passado, não quer dizer que vai perder amanhã. Se ganhou muito na renda fixa no passado... Cuidado também (rsrs).

O motivo número dois para escrever a Carta de hoje, compartilho com você na Carta de amanhã.

Vale esperar ;) No fundo no fundo, a Carta de hoje cumpriu com a função de criar um contexto adequado para a Carta de amanhã. 

Há um conteúdo aqui que deve ter passado despercebido por você, e é sobre ele que quero falar amanhã.

Até lá!

E por enquanto: 
Em seu processo decisório, questione-se sobre o peso dos eventos recentes nas suas conclusões acerca do futuro.

Excesso de medo ou de ganância nos levam a decisões normalmente equivocadas.
Pense nisso.

Sigo na torcida pelo seu sucesso.
Nos vemos amanhã,

Forte Abraço,
Arthur Lemos

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