Gostaria de dizer que a maiorira dos endividados no Brasil tem dívidas planejadas e de valor, ou geradoras de renda. Infelizmente, isso não é verdade (acesse o artigo Dívidas Saudáveis vs Dívidas Ruins). A maioria das dívidas das pessoas físicas no Brasil é contraída através do cartão de crédito, e (quase) ninguem usa cartão de crédito pra “comprar” dívidas de valor.

Na faculdade de Administração, um princípio bastante difundido é que para se encontrar uma solução eficiente para um problema, devemos conhecer com propriedade a(s) causa(s) dos problemas. Sabe então o que faz você se endividar?

As razões são várias. Aspectos como impulsividade, pressão social e provações sociais, sistema de recompensas, imprevistos, empréstimos de nome a terceiros e até mesmo o seu DNA Financeiro (link para artigo da Luciana – O que é DNA Financeiro) podem conduzí-lo a uma realidade de endividamento.

Porém, por mais que existam vários fatores que podem nos conduzir ao caminho do endividamento, três em especial, sobretudo quando combinados, são avassaladores. Vamos a eles:

 

Razão #01 - Apelo ao Consumo

Não é privilégio de nenhuma classe social. Não importa se você trabalha perto ou longe da sua casa (ou até mesmo home office), não importa qual o meio de transporte você usa, qual seu canal de televisão predileto, qual sua renda, quais redes sociais usa... Você, seus amigos, seus familiares e até seus filhos são bombardeados todos os dias por propagandas que nos estimulam a consumir mais do que realmente precisamos. As empresas bacanas tem orçamentos agressivos para publicidade e propaganda e muitas vezes, em algum momento, acabam nos convencendo que “precisamos” de coisas que muitas vezes, não precisávamos. Neste momento, nossa atitude é ir ao comércio, mesmo que seja apenas para dar uma olhadinha...

 

Imagine agora que você se decidiu por comprar uma carteira nova, pois a sua já não tem um preto tão vivo, está velha, etc, etc... Você vai até uma determinada loja, é bem atendido (no Brasil, nem sempre rsrs), e é comunicado que aquela carteira nova que você tanto deseja custa R$ 500,00. Vigésimo sexto dia do mês, você olha pra sua carteira e infelizmente não tem, à sua disposição, R$ 500,00.

O que você diz ao vendedor? “Obrigado, mas infelizmente eu não disponho dos R$ 500,00 agora, e por isso não irei levar carteira, quem sabe em uma outra oportunidade? Obrigado”!

Correto? Não!

 

 

Razão #02 – Acesso a Crédito

Uma das primeiras descobertas que temos ao estudar Educação Financeira é que, na maioria das vezes, não precisamos de educação financeira para ter as coisas, pois temos acesso a crédito. Educação Financeira traz responsabilidade ao nosso padrão de consumo, de forma que nossas compras não se transformem em problemas futuros.

Diante deste exemplo, você provavelmente não iria se esbarrar com o preço de R$ 500,00, e sim com uma parcela de R$ 50,00 (10x de R$ 50,00, por exemplo). Nossa mente é desenhada para nos proteger, e a proteção vem da manutenção da zona de conforto e da entrega dos prazeres da vida, sejam estes os sexuais, relacionais, de realização profissional ou de consumo. Com isto, ao receber a informação de parcelas mensais de R$ 50,00, começamos a, mesmo que de forma inconsciente, abastecer nossa decisão de comprar ou não comprar com argumentos como “R$ 50,00 cabe”, “R$ 50,00 não vai nem vem”, “eu mereço”, e o famoso “também, se eu não aguentar uma parcelinha de R$ 50,00, é melhor deus levar”. Por ai vai. Pensamentos a parte, quando você menos percebe, está do lado de fora da loja com sua nova carteira.

 

Agora temos um problema.

 

O problema não é o fato de comprar, de forma alguma. Inclusive, cabe adendo de que o consumo gera riquezas, estimula o emprego e compõe PIB. Consumo é bom. O que não é bom é exagerar no consumo, a ponto de ter problemas no futuro.

 

Nosso problema é que, os fatores até então apresentados são fatores externos. Não é possível anular o efeito das empresas e das outras pessoas nos estimulando a consumir – isto existirá sempre. Já em relação ao acesso a crédito, este também continuará existindo – e tomara que continue, pois o Crédito, quando bem utilizado, é sempre bem-vindo. Nos resta concentrar atenção no último dos fatores que nos conduz ao edividamento, pois este é um aspecto interno, sobre o qual podemos interferir diretamente.

 

 

Razão #03 – Falta de Instrução Financeira

É isso mesmo, somos deseducados financeiramente. Os motivos são vários, afinal de contas não aprendemos educação financeira na escola, nossos pais também não tiveram essa educação, não é interesse de grandes insituições financeiras que sejamos plenamente educados sob o ponto de vista financeiro. De tal sorte, nem compreendemos os impactos da maiorira das decisões financeiras do nosso dia-a-dia sobre nossas realidades, e a consequência disto é que acabamos por ceder a muitos apelos ao consumo e utilizando de forma excessiva as alternativas de crédito disponíveis.

Este, então, é o mais importante dos elementos que nos conduzem ao endividamento. Perceba que todos os bons livros, guias e conteúdos sobre como escapar da situação de endividamento, estão respaldados na condução de um novo comportamento financeiramente mais saudável. Embora existam estratégias diferentes para sair do endividamento, todas consideram o desenho de um comportamento financeiro adequado, e isto é educação financeira. Por vezes, o termo adequado seria reeducação financeira.

 

A falta de planejamento, mencionada no artigo Dívidas Saudáveis vs. Dívidas Ruins (link), está diretamente associada ao fato de não sermos educados financeiramente. Este motivo, inclusive, é apontado como um dos principais responsáveis pelo endividamento nacional de acordo com a Pesquisa Qualitativa sobre o processo de Endividamento, conduzida pelo Banco Central do Brasil.

 

Agora que você já sabe quais o principais fatores que nos levam ao endividamento, fique de olho e evite a sedução exagerada aos apelos comerciais, assim como a utilização excessiva dos mecanismos de crédito. Minha grande recomendação é que você invista cada vez mais no processo de se educar financeiramente, pois isto certamente lhe trará benefícios duradouros, que além de mantê-lo longe das dívidas ruins, irão facilitar e acelerar o processo de enriquecimento da sua família. É possível concluir que ao se educar financeiramente, você conseguirá mais resistência quando for alvo de estímulos ao consumo. Além disso, saberá como utilizar o crédito e os juros ao seu favor. Se você está lendo este artigo, está no caminho certo!

 

Boa sorte,

Um forte abraço e vamos em frente!

 

 

 

 

 

 

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