Os conceitos de Lucratividade e Rentabilidade causam muita confusão na cabeça das pessoas, ao ponto de alguns investidores e empreendedores acreditarem que são a mesma coisa. Não são.

Tanto em um investimento empresarial (empreendimento) como em um investimento financeiro, a Lucratividade e a Rentabilidade são diferentes, e a compreensão do que cada um destes elementos representa ajuda bastante o investidor a analisar a performance dos seus investimentos. Depois de tanto ver pessoas talentosas utilizarem estes conceitos como sinônimos, e considerando ainda a importância desta compreensão para a leitura adequada do resultado dos nossos investimentos (empresariais e financeiros), decidi que deveria esclarecer as diferenças entre estes termos, e sobretudo pontuar a finalidade de Lucratividade e Rentabilidade. Veremos que, no Brasil, em função de uma Cultura Gerencial de pouco controle, a maioria dos investidores e os gestores de empresas de pequeno e até mesmo médio porte, mal consegue calcular a Rentabilidade dos seus investimentos, ficando assim, limitados a uma análise de Lucro.

Investimentos Empresariais

Os conceitos aqui discutidos nasceram como mecanismos de leitura para auxiliar gestores profissionais na análise dos demonstrativos financeiros e da performance empresarial. Por isso, nada mais justo que esclarecer Lucratividade e Rentabilidade sob a perspectiva empresarial, para depois apresentar estas métricas no universo dos investimentos financeiros. Vamos em frente.

Entendendo a Lucratividade

A Lucratividade é um indicador de eficiência operacional, é a relação percentual entre a Receita Operacional Bruta (ROB) e o Lucro Líquido (LL) de uma organização em um determinado período. Temos assim:

Lucratividade = LL/ROB x 100

Ou seja, Lucratividade trás uma leitura de quanto uma empresa consegue gerar a partir do desempenho de suas atividades. Já vi a fórmula sendo construída com Faturamento, Vendas, Receita Bruta e Receita Líquida. Contabilmente, são conceitos diferentes. Minha sugestão é utilizar a Receita Operacional Bruta (ou seja, a Receita Total antes de deduções e descontos, oriunda da operação da empresa – receita financeira por exemplo, não deve ser considerada neste caso para empresas ‘não financeiras’). De acordo com o Sebrae Nacional, a Lucratividade média esperada para uma pequena ou média empresa no Brasil, deveria ser entre 5,00% e 10,00%. Isto varia muito, inclusive entre segmentos (indústria, comércio e serviços). Significa dizer que se uma determinada empresa tem Lucratividade mensal de 10%, a cada R$ 100,00 de Receita, R$ 10,00 ficam na empresa sob a forma de lucro líquido.

E a Rentabilidade?

Enquanto que a Lucratividade trás relação com a Receita Operacional Bruta, a Rentabilidade de uma empresa é um indicador de eficiência/qualidade sobre o Patrimônio Líquido da Empresa (eficiência patrimonial). Esta métrica representa o quanto a administração conseguiu obter a cada real investido no negócio. De forma genérica, podemos dizer que a Rentabilidade é representada por:

Rentabilidade = LL/PL x 100

Análises mais sofisticadas classificam a Rentabilidade entre ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), ROIC (Retorno sobre Capital Investido) e ROA (retorno sobre os ativos totais da empresa). Vamos nos ater à formula apresentada acima (LL/PL).

O Sebrae Nacional aponta como intervalo de referência de rentabilidade empresarial, de 2,00% a 4,00%. Assim, a Rentabilidade é importante para comparar a performance do negócio à outras oportunidades disponíveis ao sócio, que naturalmente deverá exigir uma rentabilidade maior para o seu negócio, que aquelas verificadas em produtos financeiros onde o risco envolvido é menor que o risco de fundar e gerenciar uma empresa (na maioria das oportunidades).

É possível ter uma empresa muito lucrativa porém pouco rentável, e vice versa – o ideal é que ambos os números sejam sempre positivos. É verdade que na concepção de um empreendimento, é comum dirigir mais atenção ao desenvolvimento dos produtos/serviços e à área de vendas do que para a implementação de controles contábeis, gerenciais e financeiros. Como consequência, não é raro encontrar sócios e empresários que não conhecem o tamanho do Patrimônio Líquido das suas empresas, impossibilitando assim, o cálculo da efetiva rentabilidade empresarial.

Espero que os conceitos de lucratividade e rentabalidade aplicados aos investimentos empresariais tenham sido esclarecidos. Mas, e quando se trata de investimentos ou aplicações financeiras!? Você sabe como calcular estas medidas? Caso não, recomendo a leitura do artigo Quando um Investimento é Bom?

Vamos em frente!

Abcs.,